Marabá e sua mania de grandeza

A falácia dos nababescos projetos em marabá, iniciou-se na década de 60 com o slogan “Marabá, cidade do ouro, do ferro e da castanha”. Com o objetivo de enaltecer o sonho de ser grande do município, esse bordão era cantado em verso e prosa nas escolas pelos professores e alunos. Com o tempo, lógico, acabaram-se o ouro, o ferro e a castanha, restando apenas o latifúndio e a riqueza para algumas famílias tradicionais, mas a pobreza e a pistolagem dominaram a população pobre da região.

Anos depois, a cidade triplicou a sua população com a abertura do garimpo de Serra Pelada. A cidade atingiu seu auge na escala da fama mundial. Só se ouvia falar em Serra Pelada. Vivíamos a febre do ouro, mas quando ele acabou, herdamos apenas alguns nichos de desenvolvimento, porém a pobreza e a violência tornaram a “Terra de Francisco Coelho”, a cidade mais violenta do Brasil. 
Na década de 90, chegaram as primeiras guseiras e com elas uma leva enorme de migrantes dos mais variados rincões do país. As siderúrgicas chegaram a empregar mais de 5 mil operários. A maioria famélica e sem uma mão de obra qualificada. Com a crise econômica e a decorrente queda na compra do ferro e seus derivados pela China, o Distrito Industrial de Marabá “foi para as cucuias”. Aumentando ainda mais o desemprego e a violência em Marabá.

Já nos anos 2010, novamente o “espírito de grandeza” tomou conta da cidade. A ALPA foi amplamente divulgada pelos políticos e empresários do município. Até presidentes da república e governadores ensaiaram o “canto da sereia” aqui. Resultado: “Nadica de nada”. Já em 2013, mais um megaprojeto foi anunciado. A Usina Hidrelétrica de Marabá seria implantada, gerando milhões de empregos. Outra vez, o município recebeu uma leva de futuros trabalhadores famintos e sem ter onde morar. Legado: Marabá é um dos municípios do Brasil onde mais se tem bairros de invasão. 
Por último, foi a tal da Cervital. Veio não sei de onde, foi não sei para onde, antes mesmo de ser implantada em Marabá. Agora, a nossa “mania de grandeza” está no shopping e nos grandes supermercados. Virou moda imitar as grandes cidades do país. Se prosperarem, vão vender seus produtos para os servidores públicos, comerciantes, funcionários da Sinobrás, militares, pecuaristas e o cidadão comum, pois desses segmentos vem a sustentação da economia de Marabá. Pobre “grande” cidade, mas amamos você mesmo assim.

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