Filhos indisciplinados, pais acuados
Os papéis estão se invertendo, os filhos hoje estão “deitando
e rolando” em cima dos pais. Na verdade, os pais estão com medo de impor
limites aos filhos. Aquela “hierarquia familiar antiga”, onde pai e mãe “colocavam
o moleque em seu devido lugar”, sumiu. Os pais, hoje em dia, têm medo de
disciplinar a criança, isso ocorre por omissão ou por trabalharem o dia fora.
Quando se chega em casa, a tendência é atender a todas “as vontades, birras e
pirraças dos filhos”. O Estatuto da Criança e do Adolescente também possui sua
parcela de culpa, nele a criança “pode tudo”. Até a Lei Nº 13.010/2014, Lei da
Palmada, aplicada de forma equivocada, também está contribuindo para criar
esses filhos sem limites.
As crianças indisciplinadas são, às vezes, o reflexo
de uma educação equivocada e permissiva dos pais. A disciplina é a base de todo
crescimento pessoal. O jovem necessita aprender a respeitar, valorizar, escutar,
ceder, assumir seus atos e reconhecer seus limites. Essa base social tem que
ser trabalhada inicialmente em casa e depois na escola. Os pais têm que assumir
sua autoridade para educar um cidadão para viver em sociedade. Ter autoridade
em casa não significa gritar nem espancar, mas sim estabelecer normas,
responsabilidades e ensinar a respeitar os outros. Nunca vi umas boas palmadinhas matar ninguém, eu mesmo levei poucas e boas e não tenho nenhum trauma desse
corretivo, eu merecia.
A maioria dos pais ao ser chamada à escola para
resolver um problema de indisciplina do filho, transfere a culpa do ato para a própria
escola, professores ou para os colegas, o filho dele transforma-se em “santo”, sempre
“bomzinho e obediente”, coisa que nunca foi. Raramente, hoje em dia, os pais reconhecem a culpa do filho, sempre a transfere para terceiros. Essa superproteção errônea
está criando “verdadeiros agressores em casa”. Às vezes, acuados e com medo dos
próprios filhos, transferem para instituição de ensino a responsabilidade de
impor limites, mas já é tarde demais, o monstro já cresceu e criou asas. Umas
boas “lapadinhas” nunca traumatizaram ninguém e fazem parte de uma educação
democrática.



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