“Sumiram” os alunos que estudam à noite em Marabá

As escolas públicas estaduais em Marabá (PA) estão vivendo um “verdadeiro dilema” com o “sumiço” dos alunos que estudam no turno da noite. Essa evasão sempre existiu, em todo o Brasil, ficou em torno de 11,2%, números do Ministério da Educação em 2017, mas em 2018, os jovens literalmente desapareceram das escolas, algumas instituições de ensino fecharam as portas e outras tiveram redução de cerca 50% do número de turmas. Essa “debandada geral” não pode ser creditada somente à baixa qualidade da educação, deve estar ocorrendo algum fenômeno sociológico, ainda não identificado, para que os estudantes optem em parar de estudar, evadindo-se das unidades escolares. O turno da tarde também já vem apresentando um déficit considerável de alunos. Segundo o MEC, a melhora no fluxo escolar e a diminuição da quantidade de crianças no país vem diminuindo o número de matrículas, o que não é o nosso caso.
Existe a teoria da troca dos estudos pelo trabalho informal, porém não se conhece ainda pesquisas comprovando esse fenômeno social no Brasil. Há quem defenda a tese de que o número de estudantes vem caindo devido ao fluxo grande migratório em Marabá. O eldorado oferecido pela implantação da Alpa, o funcionamento das guseiras, construção da hidrelétrica de Marabá, hidrovia do rio Tocantins, construção de portos, implantação da Cevital, nunca existiu e as pessoas estão retornando para suas cidades de origem. Vejo um pouco de verdade nesta última alegação, mas nada que determine a fuga dos estudantes das escolas de Marabá. Dados divulgados pelo MEC, quarta-feira, 31/1/2018, apontam uma queda de 2,5% no número de matrículas ,em 2017, em todo o Brasil, muito abaixo do desaparecimento de alunos existente no município. As modalidades de Ensino Médio Personalizado, Banca de Exames, CEEJA e ENCEJA sempre existiram, mas não esvaziavam as escolas, logo não são os únicos "algozes" do turno da noite.
Existe ainda quem defenda a tese de falta e de atraso de grande parte dos professores, as salas escuras e sem ventilação, desestimulando os alunos, outros defendem a falta de perspectivas de um futuro melhor por parte dos estudantes, aumento da violência, modalidades de ensino que aceleram a formação do cidadão como o Projeto Mundiar, entre outros, onde o jovem conclui o ensino médio em 18 meses. Além de instituições de ensino particular, oferecendo ensino médio completo em até 6 meses. Penso que a soma de alguns fatores citados está afastando os alunos do ensino médio regular, não apenas um determinante. Esse fenômeno social vai obrigar a Secretaria Estadual de Educação e escola pública a procurar alternativas para seduzir os alunos novamente. "Aos professores, cabe a tarefa de se reinventar diariamente para construir o conhecimento de forma agradável".

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