DIA INTERNACIONAL DA MULHER: O papel das Cangaceiras no Bando de Lampião

Para vingar o falecimento de sua mãe, Dona Maria Lopes, em 21/5/1920, morta por não resistir às perseguições da polícia, e o assassinato de seu pai, José Ferreira, em 29/6/1920, a mando da oligarquia do sertão nordestino, especialmente da família Saturnino. Ao lado de 2 irmãos, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, nascido em 4/6/1898, em Serra Talhada (PE), formou um bando com a finalidade inicial de assassinar os matadores de seus pais, fazendo justiça com as próprias mãos. Eles fizeram o primeiro ataque em 1922, em Alagoas, na casa de uma baronesa da cidade de Água Branca, levando todo o dinheiro encontrado. Neste primeiro momento, as mulheres não eram aceitas, porém elas foram muito importantes para o bando de Lampião.
Conforme os historiadores, até 1928, O Rei do Cangaço não aceitava mulheres no grupo. Ele só viria a mudar de opinião quando conheceu Maria Gomes de Oliveiramas conhecida como Maria de Déa, nascida em 8/3/1911, na cidade de Santa Brígida (BA). O codinome “Maria Bonita” teria sido incorporado pelos poetas muito tempo depois da captura e execução do casal na Grota do Angico, Município de Poço Redondo (SE), em 28/7/1938. Para alguns historiadores, ao contrário da figura bonita descrita na literatura, Maria Oliveira era, na verdade, baixa e rechonchuda, nunca foi uma “Maria Bonita”. A história conta que as mulheres sempre tiveram papel secundário no cangaço de Lampião. Todas eram largadas do marido ou prostitutas. No início do bando, não costuravam nem cozinhavam, pois havia poucas mulheres no grupo. Existiam homens para executar essas tarefas.
A visão machista da época afirmava que o bando do Rei do Cangaço começou a perder terreno para as Volantes por causa das mulheres, pois na hora de fugir, elas ficavam para trás limpando o acampamento. Ao contrário, historiadores esclarecem que não havia machismo no grupo, a não ser em caso de infidelidade. Por ser muito jovens, as mulheres não carregavam punhal, apenas uma pistola automática. Os pesquisadores reconhecem apenas uma filha de Virgulino e Maria Bonita, chamada Maria Expedita de Oliveira Ferreira Nunes. O historiador Frederico Pernambucano de Mello afirma que o “nome de guerra” Maria Bonita teria surgido entre jornalistas do Rio de Janeiro, de onde se espalhou pelo Brasil.
No entanto, há quem diga que a origem do apelido Maria Bonita teria surgido devido ao corpo bem feito, olhos e cabelos castanhos, 1,56 de altura, testa vertical, nariz afilado e um charme que encantou à primeira vista o Rei do Cangaço. Teria sido o suficiente para Virgulino quebrar a tradição e permitir o ingresso de uma mulher no bando, abrindo precedente para várias outras como as cangaceiras Mariquinha (mulher de Labareda); Naninha (mulher de Gavião); Nenê (mulher de Luís Pedro); Noca (mulher de Mormaço); Lídia (mulher de Zé Baiano); Verônica (mulher de Bala Seca); Zefinha (mulher de Besouro); Maria Fernandes (mulher de Juriti); Rosalina (mulher de Mariano); Sebastiana (mulher de Moita Brava); Dadá (mulher de Corisco) e tantas outras assassinadas em busca de justiça social no sertão, pois, às vezes, o bando de Lampião roubava dos ricos e distribuía aos pobres.
As cangaceiras nunca participavam de combates, elas ficavam distantes e sob proteção de 2 ou mais cangaceiros. Atirar e andar “armada até os dentes” foi uma imagem criada pelos filmes e a TV, as cangaceiras nunca fizeram isso, afirmam os historiadores. A pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco, Semira Adler Vaisencher, descreve que Maria Bonita foi baleada ao lado de Lampião, depois foi arrastada pelos cabelos pelo soldado José Panta de Godoy, sendo degolada viva. "Depois de cortar a cabeça, que até tive que bater no osso, saiu muito sangue, e eu enfiei o dedo dentro do tutano que tinha e barriei tudo, que era de um branco danado", narra o militar. Para muitos, Maria Bonita é uma heroína nacional, lutando pela melhoria de vida dos pobres nordestinos. Parabéns para todas as mulheres pelo seu dia.
“Acorda Maria Bonita,
levanta vai fazer o café,
que o dia já vem raiando,
E a Polícia já tá de pé”.



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