"Aluno Estivador" - Falta de carteiras nas escolas de Ensino Médio no Pará


No período de 2016 a 2018, as escolas de Ensino Médio do Estado do Pará praticamente não receberam carteiras escolares, oriundas da Secretaria Estadual de Educação (SEDUC), com sede em Beléml-PA. Quase 100% das escolas estaduais estão necessitando urgente de carteiras. Em cidades como Marabá e Altamira, a falta de onde se sentar tem prejudicado o trabalho de professores, mas principalmente dos alunos. Quando as prefeituras municipais não conseguem repor o mobiliário, os estudantes “pagam o pato”. Os assentos necessitam de preservação por parte dos alunos, porém eles precisam de uma reposição periódica.
Aluno “estivador”
O início das aulas nos turnos da manhã, tarde e noite provoca um “corre-corre danado” por parte dos alunos atrás de carteiras. As mulheres e os pequenos, por falta de força física, normalmente arrastam a mesa, mas os alunos detentores de um porte físico mais avantajado colocam o mobiliário nas costas ou na cabeça. A cena dos alunos carregando as carteiras na cabeça está passando a ser chamada de “aluno estivador”. Uma alusão carinhosa aos profissionais que descarregam caminhões de mercadoria, os chamados “chapa”.
Além do problema da falta de carteira, a merenda escolar, quando existe, é servido apenas biscoito com chocolate, canjica e sardinha com macarrão. Ao cai um muro ou telhado, a SEDUC leva anos para fazer as reformas emergenciais, isso quando executa o serviço. Temos presenciado recentemente as próprias comunidades fazendo os trabalhos de retelhamento, reforma de banheiro e reparos na rede elétrica. Retratos de uma educação falida? Segundo a enciclopédia livre Wikipédia, o IDEB do Estado do Pará, em 2015, foi de apenas 3,1, empatado na última posição com os estados de Alagoas e Bahia. Enquanto o governo estadual cochila, o “aluno estivador” vai carregando a sua cruz.

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