Caso Marielle Franco – Ataques sanguinários nas redes sociais

Desembargadora Marília Castro Neves - Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
Os ataques à honra das pessoas acontecem rotineiramente nas redes sociais, os “detentores da verdade” destilam seu veneno, pela simples razão de não simpatizar com o indivíduo, não pertencer a mesma ideologia político-partidária, não concordar com a opção sexual ou ser de classe social mais baixa. Além disso, o racismo, a discriminação contra a mulher, e o desprezo pelos mais pobres “correm soltos” nas mídias sociais. A polarização social do país incrimina qualquer um que venha defender as chamadas “minorias”. “Aos amigos, todas as defesas do mundo, aos inimigos, toda a artilharia possível”, comentam os haters.
Deputado Alberto Fraga, Democratas do Distrito Federal, pertencente a bancada da bala
Os ataques desferidos contra a dignidade da Vereadora Marielle Franco, assassinada, dia 14/3/2018, quarta-feira, têm mostrado o lado vil, covarde, sanguinário e justiceiro de grande parte dos brasileiros nas redes sociais. Às vezes, um indivíduo desse não tem moral nem dignidade dentro de sua própria casa, mas ataca a honra de uma pessoa por achar que a internet é um “terreno sem lei”. Não estou aqui sendo advogado de Marielle Franco como parlamentar, ativista de esquerda ou negra, porém os ataques sofridos por ela e pela família se configura como algo desumano em um momento de dor. Só os irresponsáveis, pilantras e cretinos agridem um ser humano desta maneira.
Delegado Alberto Ferreira, Delegacia da Mulher da cidade de Santo Amaro-PE
Magistrados, militares e parlamentares encabeçam a lista dos “carrascos” detentores da verdade nas redes sociais. O ataque covarde contra Marielle Franco desferido pela desembargadora Marília Castro Neves (TJ-RJ), ligando a Vereadora a bandidos cariocas, a declaração do Deputado Distrital Alberto Fraga (DEM-DF), membro da “bancada da bala”, afirmando que o pai de Luyara Santos, filha de Marielle, seria o traficante Marcinho VP, uma informação descabida porque o pai da menina é um homem da própria comunidade, a fala do Delegado Jorge Ferreira, plantonista da Delegacia da Mulher, da cidade de Santo Amaro (PE), dizendo que a parlamentar era “mulher de bandido”, mostram um total despreparo, vindo de pessoas que teoricamente deveriam possuir um mínimo de preparo pessoal e moral para ocupar esses cargos públicos.
Vereadora Marielle Franco, vítima de assassinato no RJ
As pessoas anônimas também promovem ataques nas mídias sociais. Elas utilizam as mesmas armas e veneno de uma autoridade. Esse “linchamento verbal” existente no Brasil, hoje, está disseminado em todas as camadas da sociedade. É necessário criar leis para se combater com mais rigor esse tipo de crime no país, a exemplo dos Estados Unidos. Quando os agressores são identificados, costumam apagar o perfil nas redes sociais, optam pelo silêncio ou se escondem atrás da resposta padrão: “eu apenas compartilhei a postagem, sem verificar a veracidade dos fatos”. Atitudes típicas dos covardes. Vale lembrar que compartilhar “fake news”, também é crime.

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