Saída definitiva de brasileiros do país cresce 265% em seis anos
Cada
vez mais, os brasileiros saem do país com a intenção de não voltar mais. Essa
tendência, que aumenta ano após ano, foi registrada pela Receita Federal. Em
2011, o órgão registrou a saída definitiva de 8.170 pessoas. Em 2017, pelo
menos 21.701 saídas definitivas foram registradas — um aumento de 265%.
O
número de pessoas que não têm residência fixa no Brasil pode ser ainda maior,
pois a saída definitiva não contabiliza as crianças que se mudaram para outros
países com seus pais e outros membros da família que porventura não declarem
Imposto de Renda. A saída definitiva é um documento feito pela Receita
Federal em que o cidadão declara que não possui mais nenhuma renda no Brasil e
que vai fixar residência em outro país.
O
advogado Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional, afirma que a
solicitação da saída definitiva não significa que a pessoa deixa de ser
brasileira ou automaticamente vá receber a cidadania do país onde vai viver.
São procedimentos diferentes. O próprio Toledo pediu a saída definitiva quando
foi viver nos Estados Unidos. Segundo o advogado, essa é uma medida para evitar
a bitributação, ou seja, a cobrança do Imposto de Renda nos dois países.
Para o professor de Relações Internacionais da
Uerj, Maurício Santoro, esse desejo cada vez maior de sair do Brasil não pode
ser explicado apenas por um fator. Ele cita pelo menos três possibilidades:
crise econômica, instabilidade política e medo da violência.
“Não é só [a questão da] economia, não é só fato de
o país estar vivendo um momento de desemprego alto. É um sentimento mais amplo
que isso, de preocupação com o Brasil e de desesperança”, diz o professor.
Estimativas são maiores
O número de brasileiros que cortam todos os laços
com o país é apenas um pequeno percentual dos que deixam o Brasil para viver no
exterior. Segundo estimativas feitas pelo Itamaraty, cerca de 3 milhões
brasileiros estão vivendo em outros lugares do mundo temporariamente para
trabalhar ou estudar.
O Itamaraty não é responsável por registrar os
brasileiros que estão no exterior, portanto é possível que esse número seja
ainda maior, já que não leva em consideração os imigrantes brasileiros em
situação irregular.
Efeito Trump
Para Toledo, esse aumento de brasileiros que
desejam viver definitivamente em outros países é uma mudança de perfil. Nos
Estados Unidos, país que ainda é o mais procurado pelos brasileiros que desejam
viver no exterior, a presidência de Donald Trump teve alguns efeitos. O
advogado afirma que agora já não é tão simples para um imigrante conseguir
empregos.
“Não é muito comum que as pessoas venham hoje para
os Estados Unidos procurando emprego, elas vêm querendo empreender”, diz ele,
referindo-se às imigrações legais.
Já Santoro acredita que para além da economia,
outro fator fundamental para que brasileiros escolham viver nos EUA e em
Portugal — outro país muito escolhido — é a questão cultural. “Os dois países
têm uma cultura parecida com a brasileira, o que facilita a adaptação, além de
serem receptivos a imigrantes.”
O êxodo científico
Segundo uma pesquisa do Datafolha divulgada em maio
deste ano, 43% da população adulta deixaria o país, se fosse possível. Entre os
jovens de 16 a 24, a vontade de sair do país é um desejo da maioria: 62% têm
vontade de ir para outros países. Nesses casos, no entanto, a vontade desses
jovens é de estudar nas universidades conceituadas no âmbito internacional.
Santoro destaca que esse não é um problema para o
país a longo prazo e a circulação de conhecimento é uma tendência da
globalização. Contudo, o professor alerta que pode ser preocupante o fato de o
Brasil, na maioria dos casos, não ser mais um país atrativo para investidores e
pesquisadores.
Fonte: Portal R7




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