Medos urbanos de hoje
Nos anos 70, em Marabá, os jovens não podiam tomar banho
sozinhos nos rios ou igarapés por causa da “Boiuna” ou do “Nêgo D’Água”.
Ninguém andava sozinho no mato, o “Saci Pererê” poderia aparecer, a qualquer
momento, e pregar uma de suas peripécias, sorrindo. Ficar até tarde da noite na “porta da
rua” nem pensar. A “Porca de Bobes” ou a “Matinta Perera” poderiam aparecer e
levar algum menino teimoso. Os pais “deitavam e rolavam”, amedrontando a criançada
e mantendo a vigilância. Quando o moleque era muito danado, surgia a “Mulher de
Branco”. Essa causava pavor em “qualquer valentão”. Era a “visagem”
mais temida.
Hoje, quem mais nos atormenta é o fantasma da doença, o desemprego,
a falta de moradia, o estupro e a ação dos delinquentes. O maior medo mesmo é o de ser
assaltado ou morto por um bandido qualquer. O temor da violência passou a se
hospedar em nosso subconsciente. Acordar de madrugada sobressaltado, faz parte
do cotidiano de qualquer pai ou mãe de família. O receio da droga entrar em
casa, através dos filhos, amedronta qualquer cidadão. Infelizmente, nossos “medos
urbanos de hoje" são muito mais devastadores. Saudade das minhas ilusões de
infância.



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