A tragédia ronda a família Fonteles

Para os donos de grandes fazendas no Sul do Pará, na década de 80, PAULO CÉSAR FONTELES DE LIMA foi um advogado defensor de invasores de terra na região. Um agitador que estava orientando os trabalhadores a grilarem terras adquiridas “com muito suor e trabalho”. Não era justo um “advogado-do mato” colocar “tudo a perder”. Paulo Fonteles era uma “persona non grata” em um estado dominado pelos grandes proprietários de terra na região Sudeste do Pará. Por esse motivo, foi morto com três tiros desferidos por um pistoleiro, no dia 11 de junho de 1987, na BR 316, Ananindeua-PA.
Os movimentos sociais consideram Paulo Fonteles um “Mártir de luta pela terra”. Um revolucionário defensor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Comissão Pastoral da Terra na região. Ele tinha uma identidade muito forte com a democracia, liberdades políticas, reforma agrária e a independência nacional. Foi morto pelos latifundiários, grileiros e invasores de terras públicas. Vítima do poder ruralista no estado do Pará. Era uma voz dissonante de fazendeiros, madeireiros e grandes proprietários de terra.
Na manhã do dia 26/10/2017, outra morte violenta voltou a atingir a família Fonteles. Faleceu em Belém, PAULO FONTELES FILHO, vítima de um infarto fulminante. Nascido na prisão, em 1972, era advogado, ex-vereador, membro da Comissão da Verdade do Pará. Foi escritor, poeta, blogueiro, filiado ao PC do B e militante em Defesa dos Direitos Humanos no Estado do Pará. Quando se fala em crime ligado à reforma agrária no Pará, o assassinato de Paulo César Fonteles de Lima serve como referência porque os mandantes nunca foram a julgamento. Mais uma vez, uma tragédia atinge a família Fonteles.

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