Mentes Assassinas

Uma crônica não consegue descrever “o que se passa na cabeça” de uma pessoa que não possui remorso ou “pena” ao matar um ser humano. Diante de tantos assassinatos cruéis e banais, ao se deparar com mais um deles, o indivíduo sempre ouve as seguintes lamentações: “Quem fez isso não tem Deus no coração, “foi muita crueldade”, “matou por nada” e muitas outras expressões de incredulidade. Essas mortes chocam as pessoas diariamente, mas continuam acontecendo todos os dias e em qualquer lugar do Brasil.
Após ouvir 94 homicidas em 2010, a Revista Veja chegou à conclusão de que “o arrependimento está longe de ser a companhia mais frequente de quem mata”. Os matadores se arrependem por estarem presos, não por terem tirado a vida de uma pessoa. Os crimes horrendos direcionam críticas ao assassino, mas esse comportamento, na verdade, é um mecanismo de defesa inconsciente que faz o indivíduo se sentir diferente e melhor, ele proporciona uma sensação de alívio, para se negar um potencial de violência existente em cada ser humano. Com exceção dos esquizofrênicos, todos estão conscientes no ato de matar uma pessoa.
A violência existe como um arquivo não-executável, como uma engrenagem que pode ser ativada a qualquer momento através de um estímulo externo em pessoas vulneráveis. Sinais como apatia, tristeza, nervosismo, comportamento agressivo, podem levar uma “personalidade doentia” a cometer crimes e crueldades. A vida em sociedade, valores morais, éticos e a religiosidade, por exemplo, podem ajudar a controlar esse instinto selvagem inerente ao ser humano, mas não impedem ninguém de cometer crimes bárbaros ou frívolos. Ao contrário do que se pensa, não é a certeza da impunidade que faz o indivíduo matar, pois até o psicopata sabe que pode ser punido, mas a incapacidade de controlar os impulsos assassinos, provocados pelos mais diferentes motivos.

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