Crônicas de um avião que não caiu
Ao
chegar do trabalho, em casa, ontem, por volta de 22 horas, percebi um alvoroço danado
nas redes sociais, provocado pela suposta queda de um avião com 80 passageiros
a bordo, pertencente à empresa Azul Linhas Aéreas. Segundo os boatos espalhados
na rede, a aeronave teria saído de Belém (PA) com destino à capital de Mato
Grosso, Cuiabá. Passado o choque inicial, dirigi-me ao computador, no andar de
baixo da casa, para redigir a triste notícia aos meus leitores. No trajeto,
fiquei pensando onde checaria a veracidade das informações veiculadas. Abri o site
das grandes empresas de mídia no Brasil, mas não encontrei nenhuma notícia a
respeito da suposta queda do avião. A minha curiosidade foi cutucada.
Confesso
que achei um pouco estranho aquele silêncio e me perguntei: “será que esse avião realmente caiu?”.
Em seguida, comecei a vasculhar os grupos de whatsapp em busca de informações
sobre o trágico acidente. Para meu espanto, me deparei com links no facebook,
atualizando as notícias da queda do avião, ao vivo. Em outro grupo, surgiram
áudios atribuídos às autoridades da aviação civil relatando o ocorrido, mas
onde estavam as fotos e vídeos dos destroços do avião? Qual o motivo de tanta
demora para o surgimento de imagens do local do acidente? Mais tarde, o avião de
grande porte com 80 passageiros diminui de tamanho, passou a ser um “teco teco” que transportaria, no
máximo, 6 pessoas. Rachei de sorrir, ao me deparar com um áudio afirmando que a
aeronave teria explodido em pleno voo e o barulho teria sido ouvido a 30 km de
distância. “Teria sido uma bomba atômica
que explodiu para o barulho ir tão longe?” Me perguntei.
Um
internauta, para sacanear os torcedores do Clube do Remo, time da capital paraense,
conhecido como Leão Azul, que havia perdido o jogo válido pela Copa do Brasil
para o Internacional de Porto Alegre (RS), no mesmo horário da suposta queda do
avião, escreveu o seguinte: “Fofoqueiro é
bicho desgraçado, o filho da puta escutou “caiu
o Leão Azul”, mas só que ele entendeu “Caiu
o avião da Azul”. Não perdeu tempo, saiu espalhando o boato”. Mais
tarde, uma nota atribuída ao SERIPA (Serviço Regional de Investigação e
Prevenção de Acidentes Aeronáuticos afirmava que todos os voos de grande porte
na região estavam normais, se tivesse caído algum avião, seria de pequeno
porte.’
Antes de ir dormir,
continuei a busca por informações concretas sobre o acidente que tanto me
incomodava. Nesse momento, me deparei com uma postagem, afirmando que, na
verdade, o avião havia se chocado com uma montanha de difícil acesso, na
fazenda do Dr. Vanderlei, morador da cidade de São Paulo. “Mais uma fofoca”,
pensei. Fui me deitar, esperando que, no dia seguinte, as redes sociais
divulgassem cenas do trágico acidente, mas não foi isso que aconteceu, as
informações continuaram muito vagas, acompanhadas de imagens que não se sabe de
onde vieram. “Ontem foi o dia que a mentira fez muitas vítimas nas redes
sociais”.




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